“Vamos parar de uma vez por todas com essa história de cara metade. Todos nascemos com a cara completa. Mais ou menos bonitinha. Mas completa. Metade da laranja? Gente, laranja que já me chega pela metade, vamos combinar, eu não chupo. O legal da laranja é ela chegar redonda, bonita, ir sendo descascada, num processo. Bonito é ser inteiro, sempre. Nada de metades. Metades nos tornam capengas, necessitados de bengala. A ideia de que alguém não caminha sem outro é pura balela.”
lá na cidade grande tem um poeta.
ele é distante de muita gente de perto
e está perto de uma pessoa distante.
lá na cidade grande o poeta não se esconde,
e ele escreve o que sente por gente distante.
na cidade grande, entre aromas e cheiros
batem corações apressados, ligeiros.
aqui, no meu recanto, um suspiro admirado
pelo poeta distante, perto, tão certo…
todo mundo conhece a cidade grande
muita gente admira o poeta
e cá no meu recanto, o descobri sem querer
hoje, o poeta, meu bem querer.
quem poderia supor, que na minha calmaria
eu o reconheceria
sob um céu azul?